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08/09/2017 - A sala de espera da Secretaria de Administração da Prefeitura Municipal de Barreiros está lotada. Nas mãos das pessoas que estão esperando, documentos, contas de energia, carteiras de trabalho. As cerca de 20 pessoas que ali aguardam atendimento são vítimas das chuvas de maio, que, mais uma vez, tirou-lhes o sossego, assim como nos anos anteriores, assim como nas cidades vizinhas. O motivo da espera é pegar uma declaração que diz que, sim, elas moravam em áreas atingidas pelas águas ou deslizamento de barreiras. Que, sim, perderam todos os móveis – na menos pior das hipóteses. Que, por terem vivido em locais de risco e terem perdido tudo, sim, têm direito à liberação do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para, com esse recurso, recompor a vida comprando o que der de mobiliário.

Gilberto Miranda tem 43 anos e trabalha como entregador em um estabelecimento comercial da cidade. Como muitos barreirenses, a casa onde mora com a mãe foi alvo da fúria do Rio Una, destruindo toda a sua mobília. “Foi mais uma tragédia que abalou a nossa família”, resume o rapaz, que reside na Rua Paulo Rocha, a menos de 100 metros do rio. “Agora, é comprovar que fomos atingidos e pegar a declaração para tirar o FGTS. Tenho uns 4 mil reais. Vai servir para comprar ops móveis tudo de novo.”

Barreiros é, por assim dizer, profissional da sobrevivência. Melhor dizendo, da convivência com as enchentes. Há sete anos, o município de 40.732 habitantes, segundo o Censo 2010, foi duramente surrado pelo Una. O número de desalojados chegou a 27.500 pessoas. Os desabrigados somaram 2.500, casas destruídas foram 3.876. Sem dúvida, uma das cidades mais castigadas.

Sete anos depois, a chuva veio e veio pesada, mas a cidade aprendeu como amenizar o sofrimento. Um alarme soou na tarde do domingo 28 de maio, após o alerta dado pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). As áreas mais suscetíveis à enchente foram evacuadas. Ninguém morreu. Mas, ainda assim, 17 mil pessoas ficaram desalojadas, muitas delas no bairro de Tibiri, onde o Una passeia majestoso e ameaçador, além dos córregos que o alimentam e que também fazem das suas, derrubando pontes, passagens molhadas e pinguelas.

Voltemos à Prefeitura de Barreiros. O secretário de Administração de Barreiros, Sérgio Lima, orienta os funcionários a agilizar o atendimento aos que esperam na fila para a declaração que vai lhe dar o direito de sacar o FGTS. “Nós cumprimos todas as recomendações feitas pelo Ministério Público. Cancelamos o São João e o aniversário da cidade, em julho. Não faz sentido comemorar com tanta gente precisando”, diz Lima, dizendo ainda que 48 famílias não puderam voltar para suas casas. “Pagamos, com recursos próprios, um auxílio-moradia. Mas, até agora, nada chegou aqui com relação a verbas estaduais ou federais”, acrescenta. “Temos muitos problemas na zona rural, principalmente no que diz respeito ao transporte escolar.”

Como epicentro das enchentes de 2010, ao lado de Palmares, Barreiros foi incluída na Operação Reconstrução, que terminou com a previsão de 14.478 unidades habitacionais a serem construídas, com financiamento da Caixa. Deste total, foram construídas 12.076, das quais 11.606 foram entregues. O “saldo” de quase mil casas ainda não entregues às vítimas de 2010 têm rebatimento no município: 105 unidades residenciais estão prontas mas estão “retidas” pela burocracia e não chegaram aos futuros donos.

O promotor Rinaldo Jorge da Silva se reuniu com representantes da Prefeitura de Barreiros e governo do Estado para cobrar providências sobre as pessoas que ainda estão desalojadas. “O município esclareceu que tem dificuldade em retirar alguns moradores da área de risco haja visto que muitos voltaram para as residências, mesmo em risco, e não querem sair”, afirmou o promotor.
Foi estipulado um prazo para que as medidas sejam tomadas, incluindo aí a inclusão de moradores afetados pelas chuvas da cheia de 2017.

Tanto governo do Estado quanto Caixa alegam que os trâmites estão sendo finalizados e que, em breve, as casas de Barreiros serão ocupadas por quem de direito. “As 105 unidades concluídas estão com habite-se emitido para entrega parcial (integrantes do contrato do Residencial Santa Clara II). A Caixa aguarda a conclusão de pendências demanda pelo Governo do Estado e a autorização do Ministério das Cidades para realização da entrega, tão logo a demanda esteja resolvida”, diz o banco.

A assessoria do governador Paulo Câmara diz o seguinte: “As 105 unidades habitacionais de Barreiros fazem parte dos empreendimentos da Operação Reconstrução de 2010/2011. Dessa forma, além da analise pelo Comitê Gestor da Operação Prontidão 2017 dos critérios de seleção, está sendo realizada a confrontação do cadastro dos atuais afetados com o cadastro de 2010, evitando assim, a possibilidade da mesma pessoa ser beneficiária, pelo programa habitacional, por duas vezes. A previsão é que até o final de outubro sejam entregues as 105 unidades e as outras unidades remanescentes da Operação Reconstrução de 2010/2011”.

 

MPPE NA ESTRADA - CHUVAS NA MATA SUL - DIA 5

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