( FP – Grande Recife ) Família de bebê acionará Justiça
Por volta das 18h de ontem, foi enterrado no Cemitério da Várzea, no Recife, o corpo de Yasmin Carneiro Viana, de apenas 8 meses, que morreu na noite de quinta-feira, por falta de leito nas UTIs pediátricas nos hospitais públicos e particulares da cidade. Yasmin estava internada no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) e, com convulsões e em estado de coma, precisou de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A família da criança, que ficou da tarde até as 21h50 de anteontem tentando, sem sucesso, uma vaga nas unidades de saúde, diz que vai entrar na Justiça pelo ocorrido e pede auxílio a algum advogado que queira colaborar com o caso.
Bastante abalada com a perda da primeira neta, a professora Eliane Gomes Carneiro Viana, de 48 anos, não conseguia esconder a revolta enquanto velava a menina. “Eu gostaria que analisassem não só o caso de Yasmin, mas também o de tantas outras crianças”, disse. Eliane afirmou que não há leitos para elas e, em alguns lugares, pode-se duvidar do atendimento médico.
“Tudo começou no domingo, quando a levamos ao Barão de Lucena. Lá, disseram que era uma virose e deram alta. No entanto, a febre alta não cedeu. Fomos ao Hospital Infantil e depois ao Imip, já na terça-feira. No dia seguinte, ela piorou e ontem (quinta) precisou da UTI. Solicitaram um leito para minha neta, mas não havia. Procuramos diversos hospitais particulares e nada. Só o Hospital Santa Joana disse que teria vaga se déssemos R$ 30 mil”, revelou.
À base de calmantes, a mãe de Yasmin, Cintia Paula Carneiro Viana, 21, que vivia com a filha na casa dos pais, informou que vai procurar seus direitos na Justiça. “Minha filha morreu por negligência. Uma vaga em UTI não foi encontrada. Se nós fôssemos ‘barões’, logo arrumariam um lugar”, acrescentou Cintia. Diante da situação, os familiares do bebê procuraram o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que encaminhou liminar à Secretaria Estadual de Saúde (SES) para resolver a situação.
Segundo a superintendente de Regulação da SES, Zelma Pessoa, o documento do MPPE só chegou às 11h de ontem, quando todo o procedimento padrão havia sido feito. “A criança foi regulada ontem (quinta-feira), às 10h50, para providenciar sua transferência. Procuramos em todas as unidades públicas e privadas, sem que conseguíssemos”. O órgão informou que, hoje, na rede estadual, há 44 leitos de UTIs pediátricas. “Ainda em 2009, estão previstas mais cinco leitos de UTI no Correia Picanço e mais nove no Hospital Getúlio Vargas”, adiantou Zelma.
Através de nota à Imprensa, o Imip informou que a paciente Yasmin já deu entrada em estado grave na instituição, com diarreia aguda e distúrbio metabólico, procedente de outra unidade de saúde. Foi avaliada por neurologista pediátrico e passou por exames de Ressonância Magnética Nuclear, mas apresentou evolução desfavorável e, na quinta-feira pela manhã, a vaga de UTI foi solicitada à Central de Regulação de Leitos do Estado. Quanto à acusação de ter cobrado R$ 30 mil para atender Yasmin Viana, o Hospital Santa Joana, em nota envida por sua assessoria de Imprensa, declarou que a afirmativa é “absolutamente inverídica” e que não dispunha de vagas na UTI pediátrica para que a menina fosse atendida.
Serviço
Contatos da família: 3271-3224 ou 8801-1571