Sexta-feira, 18 de maio de 2007
(JC – Cidades) Urbanização é o desafio de Caruaru
A Capital do Forró completa hoje 150 anos de elevação da categoria de vila para cidade com solenidades, programação festiva e anúncios de novos investimentos. A cidade, distante 140 quilômetros do Recife, no Agreste pernambucano, se prepara para crescer nas próximas décadas com base no Plano Diretor, elaborado em 2004, e que contém as diretrizes básicas para um desenvolvimento mais harmônico. O documento tem como objetivo evitar e corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos negativos no meio ambiente. O município foi um dos primeiros do interior a elaborar o documento.
“Vejo Caruaru no futuro como uma grande metrópole e o Plano Diretor garante o crescimento com ordenamento”, afirma o prefeito Tony Gel. Ele lembra que com o tempo apenas os municípios que já contam com o documento estarão aptos a receber novos financiamentos. “O plano foi criado ainda no meu primeiro governo. Quando elaboramos o documento, ninguém estava pensando nisso. Estamos um passo à frente”, comemora.
De acordo com o prefeito, em pouco tempo serão finalizados os instrumentos que permitem a execução das diretrizes do plano. Entre esses mecanismos estão o Conselho de Desenvolvimento e o Sistema de Informações, que já estão em fase de elaboração.
O Plano Diretor é considerado a primeira medida para que um município possa planejar seu desenvolvimento com qualidade de vida e organização dos espaços públicos. Na capital do Agreste, por exemplo, ele determina que a largura mínima das calçadas deve ser de 1,5 metro em cada lado da via. O que se vê atualmente, entretanto, são construções irregulares avançando sobre os espaços públicos, obrigando os pedestres a seguir pelas ruas e provocando riscos de acidentes. No caso dos portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida, muitas vezes, os obstáculos são praticamente intransponíveis. O problema levou o Ministério Público de Pernambuco a realizar audiência pública sobre o assunto, em novembro passado.
Outra determinação do Plano Diretor é que nas margens dos cursos d’água deve ser preservada uma faixa com restrição para construções de, no mínimo, 30 metros de largura.
Mas a realidade mostra, hoje, as margens do Rio Ipojuca, considerado um dos elementos estruturadores da cidade, sendo invadidas por construções irregulares ou transformadas em criadouros de animais. “O Rio Ipojuca, em Caruaru, praticamente não tem mais margens. A cidade não respeitou o rio nesses 150 aos”, diz o diretor regional do Ibama, Rogério Menezes.
Essa realidade pode ser observada em épocas de cheia, quando o rio retoma seu curso normal e deixa milhares de desabrigados. Entre as diretrizes para o Rio Ipojuca está a remoção de edificações localizadas na faixa de restrição, especialmente as pocilgas e os criadouros de animais.
Outra recomendação para o meio ambiente é o aumento da oferta de áreas verdes e de lazer, por meio de implantação de parques urbanos, sobretudo, nas margens do Rio Ipojuca. A falta de verde é uma das deficiências da cidade.
O município não conta com nenhum grande parque nem com áreas de lazer arborizadas. Por isso, entre as recomendações do plano está a implementação de um projeto de arborização e a instalação de espaços públicos de lazer.
O Plano Diretor também aponta diretrizes para outros problemas da cidade, como o trânsito caótico e a falta de infra-estrutura no Morro do Bom Jesus, considerado zona especial de interesse social.