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| segunda-feira, 16 de outubro de 2006 | |
| Outubro (16/10 – DP – Vida Urbana) | |
| Confusão marca concurso da Compesa | |
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Um dos maiores concursos públicos do estado, com mais de 62 mil candidatos inscritos, foi marcado por tumulto e confusão ontem no Recife. Mais de cem candidatos que concorreriam a uma das 969 vagas oferecidas pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) deixaram de fazer as provas porque seus nomes não constavam na relação do local onde prestariam os exames. Informados pela organização que seriam eliminados, eles se recusaram a sair do bloco G da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), onde 3.900 pessoas faziam prova, e tentaram impedir a realização do concurso. Nas salas de aula, o grupo rasgou atas de presença e recolheu cadernos de prova dos candidatos. Do lado de fora, outras dezenas de candidatos chegaram atrasados porque, ao chegar aos prédios onde fariam prova, foram informados que deveriam se dirigir a outro local. Na confusão, alguns pularam o muro tentando fazer os exames. "Cheguei na FIR muito antes do horário e, quando me dirigi à sala de provas, fui informada de que deveria fazer os testes no bloco G da Católica. Vi várias pessoas na mesma situação", contou Monick Albuquerque, candidata ao cargo de operador de sistemas. "Nunca recebi nenhuma informação pelos Correios e chequei a informação do local de provas ontem (anteontem) pela internet", reclamava. Desolada, a candidata Rita Nascimento, portadora de deficiência física, contou que também confirmou a informação na internet no dia anterior. "Cheguei aqui e a única coisa que me disseram foi que o meu nome não estava na lista. Paguei cursinho, gastei com a inscrição e agora sou impedida de fazer a prova", contou, aos prantos. Enquanto isso, candidatos que já respondiam às provas no bloco G eram orientados a deixar o local. "A própria fiscal da minha sala disse que não tínhamos condição de continuar e que o concurso seria anulado, por isso a gente saiu", revoltava-se Rossana Andréa da Silva. Ao deixar o local, porém, ela percebeu que a prova continuou normalmente nos demais blocos da universidade. "Isso é muito sério. Fomos prejudicados e eu não vou admitir ser eliminada por um erro da organização", afirmou. Na confusão, que durou cerca de duas horas, a Polícia Militar foi chamada e pediu reforço do Batalhão de Choque, que não chegou a intervir. Ninguém foi preso. Enquanto o tumulto era contido, vários candidatos informados em sala de aula da anulação do concurso saíram do prédio (bloco G) por volta das 9h com os cadernos de provas e os gabaritos nas mãos. Segundo o edital do concurso, os inscritos só poderiam levar as provas após as 11h. "Só isso já é motivo para anular. Além do mais, várias pessoas estão lá em cima com celulares, o que é proibido pelo edital", disse o candidato Roberto Cavalcanti. Originalmente marcada para o dia 6 de agosto, a data das provas do concurso da Compesa foi alterada, por conta da prorrogação das inscrições, para 3 de setembro. Modificações recomendadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) motivaram a reabertura de inscrições e a remarcação dos exames para ontem. No informativo recebido pelos Correios,porém, só constava o local de provas antes das alterações. Para saber onde fariam os testes após as mudanças, os inscritos deveriam acessar a internet ou ligar para o call center do Ipad. MPPE deve receber denúncia hoje Indignados, cerca de 50 candidatos eliminados que se diziam prejudicados pela organização do concurso saíram em passeata do bloco G da Unicap até o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para pedir a anulação da seleção, organizada pelo Instituto de Planejamento e Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico (Ipad). Atendidos pelo promotor de plantão, foram orientados a se reunir novamente hoje. Eles se reúnem, às 14h30, no MPPE da Avenida Visconde de Suassuna, para denunciar o caso. Para Rossana Andréa da Silva, que articulou o grupo, houve erro do Ipad com relação às informações dos locais de prova. A presença de pessoas portando celulares dentro dos prédios e o vazamento das questões antes do horário determinado pelo edital também foram contestados por ela. Segundo o presidente do Ipad, Antônio Fernando Barros, a hipótese de anulação do concurso foi descartada. "Fizemos um amplo comunicado em jornais e rádios informado da alteração dos locais de prova e orientando as pessoas a acessarem o site ouligarem para o Ipad. Entendo que a abstinência em razão do desconhecimento sobre o local de realização das provas foi insignificante", apontou. Para a diretora-presidente do Instituto de Recursos Humanos de Pernambuco, Mara Anunciato, os problemas foram pontuais. "Cerca de 80 pessoas invadiram o bloco G da Unicap, rasgaram provas e tumultuaram o ambiente. A polícia conseguiu controlar a confusão. De resto, o concurso segue normalmente", assegurou. Segundo ela, o problema foi que os candidatos não procuraram saber dos locais de prova após a reabertura das inscrições. Os responsáveis pelo Ipad também afirmaram desconhecer a informação dada pelos fiscais de que o concurso seria anulado. A presença de pessoas portando celulares também foi negada. Segundo Mara Anunciato, os responsáveis pela seleção vão se estruturar para atender às reclamações sobre os candidatos prejudicados e avaliar o que pode ser feito pelos candidatos que tiveram as provas interrompidas. |
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